Catalogação

Afinal, o que é ficha catalográfica?

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Apesar de estar presente na maioria dos livros publicados no Brasil, muitas pessoas não sabem o que é ficha catalográfica. Nesse artigo, descreveremos de forma sucinta a sua origem, seu objetivo e as partes que compõem as fichas catalográficas. Assim, esperamos que ao final da leitura do artigo você saiba o que é ficha catalográfica.

O que é ficha catalográfica?

Atualmente, ficha catalográfica é um bloco de texto que contém as informações bibliográficas necessárias para identificar e encontrar um livro no acervo de uma biblioteca. Elas devem ser elaboradas por bibliotecários graduados e com registro profissional ativo no Conselho de Biblioteconomia. O Código de Catalogação Anglo-Americano (AACR2) é o manual que reúne todas as regras para a correta catalogação de um material bibliográfico. No Brasil, as fichas catalográficas são obrigatórias em todas as publicações monográficas, conforme estabelecido pela Lei Federal 10.753/03, também conhecida como a Lei do Livro. Para uma ficha catalográfica ser considerada válida ela deve estar assinada pelo bibliotecário responsável, conforme Resolução 184/2017 do Conselho Federal de Biblioteconomia. Em um outro artigo, escrevemos sobre a regulamentação das fichas catalográficas.

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O que é ficha catalográfica? Brevíssima história

A ficha catalográfica tem origem nas fichas de papel que eram utilizadas nos catálogos de consulta ao acervo das bibliotecas. Os catálogos de consulta se tratavam de grandes e pesados arquivos metálicos. A biblioteca deveria manter um ou mais arquivos para cada ponto de acesso existente.

Ficha catalográfica - Arquivos antigos
Ficha catalográfica – Arquivos antigos

Partes que compõem a ficha catalográfica

Pontos de acesso

O ponto de acesso, também chamado de entrada, é um nome, termo ou código que permite um registro bibliográfico ser identificado e encontrado. Os pontos de acesso mais comuns são: Autor, Título, Série e Assunto. Assim, produzia-se uma cópia da ficha catalográfica para cada tipo de ponto de acesso, sendo que, alguns livros poderiam possuir mais de um ponto de acesso do mesmo tipo. Por exemplo, para um livro com dois autores, deveria-se criar uma ficha catalográfica para cada autor. Obviamente, as cópias não eram idênticas e variavam quanto ao ponto de acesso principal e os pontos de acesso secundários.

Além dos pontos de acesso, também fazem parte da ficha catalográfica a descrição bibliográfica e o número de chamada.

Descrição bibliográfica

A descrição bibliográfica consiste na individualização de um material bibliográfico de modo a torna-lo único entre os demais materiais que compõem um acervo. Para isto, a descrição estabelece um padrão que é comum a qualquer tipo de material. Está dividida em 8 grandes áreas, são elas:

  1. Título e indicação de responsabilidade: Nesta área são incluídos na ficha catalográfica informações sobre o título principal, um título equivalente, outras informações sobre o título e a indicação de responsabilidade.
  2. Edição: Nesta área são informados a indicação de edição, indicação de responsabilidade da edição e edições subsequentes, quando aplicáveis.
  3. Detalhes específicos do material ou do tipo de publicação: Utilizado para especificar materiais cartográficos, música, recursos eletrônicos, microformas, recursos contínuos etc.
  4. Publicação, distribuição, etc: Nesta área comumente indica-se o lugar de publicação (geralmente uma cidade), nome do editor ou distribuidor e data de publicação ou distribuição.
  5. Descrição física: Serve para determinar detalhes físicos do material a ser catalogado, ou seja, quantidade de páginas, dimensões, se possui ilustrações ou algum material adicional entre outros.
  6. Série: Reúne informações sobre a coleção. É composta por elementos como: título principal, indicação de responsabilidade, ISSN ou ISBN, numeração entre outros dados da série.
  7. Notas: Esta área é utilizada para adicionar informações sobre bibliografia, índice e outras informações que o catalogador julgar pertinentes.
  8. Número normalizado: Área reservada, principalmente, para a indicação do número normalizado, ou seja, registro de ISBN da obra.

Número de chamada

O número de chamada trata-se de um código constituído, na maior parte dos casos, por caracteres alfa-numéricos. Ele permite que um material bibliográfico seja encontrado em um acervo de biblioteca. É o endereço de cada livro nas estantes de uma biblioteca. Esse número é obtido a partir da análise do assunto dos materiais bibliográficos e traduzidos com o auxílio das tabelas de classificação decimal. As mais conhecidas são a Classificação Decimal de Dewey (CDD) e a Classificação Decimal Universal (CDU). Além disso, utiliza-se a tabela de Cutter-Sanborn como complemento do número de chamada.

A CDD caracteriza-se por ser de mais fácil utilização, porém possui limitações quando utilizadas em acervos muito especializados. Por isso, é classificação decimal mais indicada para acervos generalistas como os encontrados em bibliotecas escolares e bibliotecas públicas.

A CDU por permitir correlacionar assuntos de maneira mais eficaz que a CDD, é mais utilizada em bibliotecas universitárias e centros de pesquisa. Por isso, as instituições de ensino superior acabam preferindo que seja utilizado o CDU nas fichas catalográficas de trabalhos de conclusão de curso.

A tabela de Cutter-Sanborn serve para individualizarmos ainda mais a localização de um livro nas estantes de uma biblioteca. Ao contrário das classificações decimais, a tabela de Cutter utiliza-se do sobrenome dos autores e do título do livro. Assim, vários livros agrupados por determinada classificação, também seriam agrupados por determinado autor.

Não confunda!

As fichas catalográficas são utilizadas em bibliotecas e centros de documentação. Como já foi dito nesse artigo, elas servem para auxiliar os profissionais bibliotecários, sugerindo pontos de acesso e oferecendo uma catalogação padronizada.

As fichas catalográficas não servem para proteger os direitos intelectuais dos autores. Para proteger os direitos autorais, deve-se procurar o Escritório de Direitos Autorais, mantido pela Biblioteca Nacional. Além disso, os assuntos utilizados nas fichas catalográficas não são termos livres. Eles devem seguir um vocabulário controlado mantido por instituições de áreas especializadas.

Concluindo…

Como pode deduzir, as fichas catalográficas não são mais utilizadas em arquivos metálicos gigantescos. Hoje utilizamos os computadores para armazena-las. Mas, elas continuam auxiliando bibliotecários, editores e outros profissionais a manterem seus catálogos atuais e em conformidade com padrões internacionais. Reduz os custos e tempo de trabalho melhorando a produtividade de bibliotecas com poucos recursos materiais e humanos. Permite a padronização de bases de dados que são importantes para o crescimento do conhecimento científico de qualquer país. Além de padronizar a catalogação em âmbito nacional e facilitar o controle bibliográfico nas bibliotecas.

Isso é tudo. Esperamos que você tenha conhecido um pouco sobre o que é ficha catalográfica, como elas são feitas e para que servem.

18 comentários sobre “Afinal, o que é ficha catalográfica?

  1. Olá Mauricio, sabe dizer o que são publicações monográficas. Sobre o ISBN é obrigatório ter na ficha de um documento da instituição? Exemplo: Um regimento interno

    1. Boa tarde Edcarlos! Agradecemos o seu comentário. Publicação monográfica se trata de um material não seriado, ou seja, uma publicação constituída de uma só parte. São exemplos de publicações monográficas: livros, relatórios, trabalhos de conclusão de curso etc. Se o documento da instituição for de uso interno e não for distribuído ao público em geral, não precisa de ISBN e ficha catalográfica. Um forte abraço!

  2. Boa tarde!
    Existem regras para informar o período (mês/ano) de publicação?
    Em caso de livros, é opcional informar mês e ano?

    1. Boa tarde Regina. Agradecemos o seu comentário. De acordo com a NBR 6029/2006, o ano de publicação é um elemento obrigatório e deve estar presente na folha de rosto, conforme estipulado pela norma citada. Já na primeira capa, ele é opcional. Caso tenha interesse, oferecemos um excelente serviço de normalização bibliográfica. Para conhecer mais, acesse o link a seguir: https://www.edocbrasil.com.br/servicos/normalizacao-bibliografica/. Espero ter ajudado. Um forte abraço e sucesso!

  3. Olá, para publicações de livros (físicos e digitais) por editoras universitárias é obrigatório o uso de fichas catalográficas? É permitido usar uma mesma ficha catalográfica para livros de assuntos semelhantes? Existe algum impedimento legal que proíba fazer isso? Se essa duplicidade de fichas catalográficas existir, o que isso significa?

    Obrigado pelos esclarecimentos!

    1. Boa tarde Ricardo. Agradecemos a sua mensagem. De acordo com a Lei Federal 10.753 de 2003, todas as publicações brasileiras devem possuir o ISBN e a ficha catalográfica. Isto inclui livros físicos e digitais publicados pelas editoras universitárias. Quanto ao aproveitamento de fichas catalográficas em outros livros por profissionais leigos em biblioteconomia, temos uma lei e uma resolução que trata desse assunto. A Lei Federal 4.084 de 1962, regulamenta a profissão de bibliotecário. Ela estipula as atribuições reservadas dessa profissão, dentre elas a elaboração de fichas catalográficas. Já a Resolução 184 de 2017 do Conselho Federal de Biblioteconomia trata da validade das fichas catalográficas. Ela torna obrigatório a presença do nome e registro profissional do bibliotecário responsável pela catalogação. Se ainda tiver alguma dúvida sobre esse assunto, estamos sempre às ordens.

    1. Olá Rosa!

      Agradecemos o seu comentário. Para lhe fornecer uma informação mais precisa, seria necessário o encaminhamento de alguns dados do livro em questão. De toda maneira, tentando lhe ajudar mesmo que no escuro, muito provavelmente esse dado poderia entrar no subtítulo. Mas, como lhe disse, depende de como está escrito na folha de rosto e em outras fontes informacionais. Vale lembrar que essa tarefa deve ser realizada exclusivamente por um bibliotecário com registro profissional ativo no Conselho Regional de Biblioteconomia.

      Espero ter lhe ajudado. Um grande abraço.

  4. Olá!
    as fichas catalográficas são obrigatórias nas dissertações de mestrado ou teses de doutorado? Ou é uma regra que cada universidade exige se assim achar conveniente?
    Agradeço antecipadamente a atenção dispensada.

    1. Bom dia Maria. Agradecemos o seu comentário. Sim, as fichas catalográficas também são obrigatórias em trabalhos de conclusão de curso, como monografias, dissertações e teses. As universidades brasileiras devem seguir a NBR 14724, que específica os princípios gerais para a elaboração de trabalhos acadêmicos. De acordo com esta norma da ABNT, a ficha catalográfica é um dos elementos pré textuais obrigatórios. Estamos sempre às ordens. Tenha um grande dia!

    1. Bom dia Heitor. Sim, as fichas catalográficas também são necessárias para publicações digitais. Para ebooks no formato ePUB e Mobi, enviamos a ficha catalográfica no formato HTML, além do formato padrão em DOC. Estamos sempre as ordens. Um forte abraço!

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