Cultura

Um país se faz com homens e livros, afirma escritora

Por Leila Krüger.

A pergunta essencial é: por que, no nosso país, lê-se tão pouco?

“Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros mudam as pessoas.” Caio Graco pronunciou tal sentença, cuja autoria muitas vezes é atribuída a Mario Quintana, para nos dizer que os livros podem mudar, sim, uma cidade, um país e o mundo, ao modificar cada pessoa que lê.

A leitura, especialmente de livros, traz inúmeros benefícios ao ser humano: melhora a atenção, a memória, expande os pensamentos, os conceitos, aumenta o conhecimento, alimenta a imaginação, enriquece o vocabulário e amplia as formas de se expressar.

No Brasil, a maioria não tem o hábito de ler. Estatísticas recentes informam que 74% dos brasileiros nunca compraram um livro e 30% nunca leram uma obra. Mais da metade da população brasileira se considera leitora, mas não chega a ler cinco livros por ano, mais da metade deles incompletos (Retratos da Leitura no Brasil, 2016). O mercado editorial brasileiro encolheu cerca de 20% em três anos (Pesquisa Produção e Venda, 2017), embora esteja, lentamente, em ascensão.

A pergunta essencial é: por que, no nosso país, lê-se tão pouco? Alguns fatores podem vir à mente, como os preços, os poucos canais de distribuição, a falta de incentivo à cultura da leitura, baixa escolaridade, o parco mercado editorial nacional… As pessoas vão ao cinema, mas e à livraria? Mostram aos filhos desenhos animados e brinquedos da moda, mas e livros? No que se refere às crianças, os pais ou pessoas que as rodeiam devem dar o exemplo da leitura. É tudo sobre hábito.

Ler nutre o cérebro e o coração. Encerro citando Monteiro Lobato, aquele que tanto procurou levar a literatura às nossas crianças para que desenvolvessem o hábito de ler: “Um país se faz com homens e livros”. E o Brasil, em meio à destruição moral e econômica, precisa ser refeito.

Sonho que as livrarias, online e off-line, um dia se tornem tão importantes, para a maioria de nós, quanto os cinemas, os restaurantes e outros lugares que sempre frequentamos. E que sejamos um país mais instruído e desenvolvido pelo hábito da leitura.

Fonte: Gauchazh

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