Catalogação

Regulamentação das fichas catalográficas

Em outubro de 2017, o Conselho Federal de Biblioteconomia publicou a Resolução 184, que trata da regulamentação das fichas catalográficas. O texto torna obrigatório a assinatura do bibliotecário em todos os documentos produzidos durante o exercício da profissão. Deste modo, cada ficha catalográfica deverá conter em seu rodapé o nome e o registro profissional do bibliotecário responsável pela catalogação.

Caiu de paraquedas nesse artigo? Descubra o que são as fichas catalográficas e para que elas servem.

Pretende-se com essa decisão uniformizar o processo de tratamento e elaboração das fichas catalográficas. Além disso, busca-se inibir a elaboração de fichas catalográficas por pessoas sem formação em Biblioteconomia. Por fim, permite que os bibliotecários responsáveis pela catalogação recebam os devidos créditos.

Será o início da regulamentação das fichas catalográficas?

De acordo com o presidente do CFB, Raimundo Martins de Lima:

“Temos leigos que elaboram as fichas [catalográficas] da maneira que entendem, saindo errados nomes de autoria, as responsabilidades de coordenação, revisão entre outros dados. Essas informações são necessárias para dar o devido crédito e facilitar o processo de recuperação”.

O presidente do CFB ainda completa:

“O objetivo dessa resolução é dar uniformidade ao processo de tratamento e de elaboração das fichas catalográficas. Seja em bibliotecas, livrarias, editoras ou órgãos responsáveis pela elaboração de revistas. A catalogação é um processo que utiliza padrões internacionais que precisam ser respeitados”.

Conclusão

A Resolução 184, chega para contribuir com a regulamentação das fichas catalográficas no Brasil. Se torna um importante instrumento para os bibliotecários, pois valoriza e reconhece o trabalho do catalogador. Em médio prazo, impactará positivamente no aumento da qualidade das fichas catalográficas.

Exemplo de ficha catalográfica inválida

Fichas catalográficas como a representada pela imagem não possuem validade
Fichas catalográficas como a representada pela imagem não possuem validade

2 thoughts on “Regulamentação das fichas catalográficas

  1. De fato, irá melhorar a qualidade das fichas catalográficas, o que é bom.

    Porém, também cria um belo esquema para fabricação de dinheiro em cima de livros físicos:

    1) Pela lei nº 10.753 de 30 de outubro de 2003, todo livro deve ter ISBN e ficha catalográfica;
    2) A resolução obriga que a ficha catalográfica tenha o CRB de um bibliotecário (Art. 3: “É obrigatório que conste o número de registro no CRB do bibliotecário abaixo das fichas catalográficas de publicações de quaisquer natureza e trabalhos acadêmicos”);
    3) Não conheço nenhum bibliotecário que assinaria uma ficha catalográfica gratuitamente e normalmente os preços são abusivos.

    Para uma editora, isso não é nada. Mas e como fica o escritor independente (que hoje em dia não são poucos)? Certamente, o presidente do CFB não pensou nisso.

    Isso também acaba criando barreiras para que grandes companhias internacionais, como a Amazon, tragam seus serviços de impressão sob demanda para o Brasil.

    Chega a ser irônico dizer coisas como “estimular o hábito da leitura”, enquanto criam-se barreiras que dificultam a publicação de livros.

    Espero que não criem nenhuma resolução ou lei para ebooks, pois seria o “fim da picada”.

    1. Olá Henrique,

      Agradeço o seu comentário.

      Acho que o artigo ficou um pouco confuso. Depois irei atualizá-lo, para evitar esse tipo de entendimento. Você está correto quando cita a lei Federal 10.753 que obriga a presença do ISBN e ficha catalográfica em todas as publicações. O problema, é que o artigo não menciona a lei n. 4.084 de 1962, que dispõe sobre a profissão de bibliotecário. A lei do bibliotecário estabelece, entre outras coisas, que atividades como catalogação (entenda ficha catalográfica) são atribuições exclusivas do profissional graduado em biblioteconomia. Deste modo, a necessidade da ficha catalográfica ser elaborada por bibliotecário vem desde 1962. Entretanto, como não havia a regulamentação das fichas catalográficas, a grande maioria delas não eram “assinadas”. Com isto, muitas fichas eram elaboradas por profissionais leigos e ficavam erradas, não cumprindo o seu papel em contribuir com a disseminação do conhecimento no Brasil.

      Quando eu tiver um tempinho livre, irei atualizar o artigo para constar essa realidade passada e deste modo, citar a lei do bibliotecário.

      Um grande abraço!

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