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Afinal, o que é essa tal ficha catalográfica?

Por Maurício Amormino Júnior.

Atualmente, a ficha catalográfica é um bloco de texto que contém as informações bibliográficas necessárias para identificar e encontrar um livro no acervo de uma biblioteca. Elas devem ser elaboradas por bibliotecários graduados e com registro profissional ativo no Conselho de Biblioteconomia. O Código de Catalogação Anglo-Americano (AACR2) é o manual que reúne todas as regras para a correta catalogação de um material bibliográfico. No Brasil, as fichas catalográficas são obrigatórias em todas as publicações monográficas, conforme estabelecido pela Lei Federal 10.753/03, também conhecida como a Lei do Livro. Para uma ficha catalográfica ser considerada válida ela deve estar assinada pelo bibliotecário responsável, conforme resolução 184/2017 do Conselho Federal de Biblioteconomia.

A ficha catalográfica tem origem nas fichas de papel que eram utilizadas nos catálogos de consulta ao acervo das bibliotecas. Os catálogos de consulta se tratavam de grandes e pesados arquivos metálicos. A biblioteca deveria manter um ou mais arquivos para cada ponto de acesso existente.

O ponto de acesso, também chamado de entrada, é um nome, termo ou código que permite um registro bibliográfico ser identificado e encontrado. Os pontos de acesso mais comuns são: Autor, Título, Série e Assunto. Assim, produzia-se uma cópia da ficha catalográfica para cada tipo de ponto de acesso, sendo que, alguns livros poderiam possuir mais de um ponto de acesso do mesmo tipo. Por exemplo, para um livro com dois autores, deveria-se criar uma ficha catalográfica para cada autor. Obviamente, as cópias não eram idênticas e variavam quanto ao ponto de acesso principal e os pontos de acesso secundários.

Além dos pontos de acesso, também fazem parte da ficha catalográfica a descrição bibliográfica e o número de chamada.

A descrição bibliográfica consiste na individualização de um material bibliográfico de modo a torna-lo único entre os demais materiais que compõem um acervo. Para isto, a descrição estabelece um padrão que é comum a qualquer tipo de material e está dividida em 8 grandes áreas. São elas:

  1. Título e indicação de responsabilidade: Nesta área são incluídos na ficha catalográfica informações sobre o título principal, um título equivalente, outras informações sobre o título e a indicação de responsabilidade.
  2. Edição: Nesta área são informados a indicação de edição, indicação de responsabilidade da edição e edições subsequentes, quando aplicáveis.
  3. Detalhes específicos do material ou do tipo de publicação: Utilizado para especificar materiais cartográficos, música, recursos eletrônicos, microformas, recursos contínuos etc.
  4. Publicação, distribuição, etc: Nesta área comumente indica-se o lugar de publicação (geralmente uma cidade), nome do editor ou distribuidor e data de publicação ou distribuição.
  5. Descrição física: Serve para determinar detalhes físicos do material a ser catalogado, ou seja, quantidade de páginas, dimensões, se possui ilustrações ou algum material adicional entre outros.
  6. Série: Reúne informações sobre a coleção. Esta área é composta por elementos como: título principal da série, indicação de responsabilidade da série, ISSN da série, numeração da série entre outros.
  7. Notas: Esta área é utilizada para adicionar informações sobre bibliografia, índice e outras informações que o catalogador julgar pertinentes.
  8. Número normalizado: Área reservada, principalmente, para a indicação do número normalizado, ou seja, registro de ISBN da obra.

O número de chamada trata-se de um código constituído, na maior parte dos casos, por caracteres alfa-numéricos. Ele permite que um material bibliográfico seja encontrado em um acervo de biblioteca. É o endereço de cada livro nas estantes de uma biblioteca. Esse número é obtido a partir da análise do assunto dos materiais bibliográficos e traduzidos com o auxílio das tabelas de classificação decimal. As mais conhecidas são a Classificação Decimal de Dewey (CDD) e a Classificação Decimal Universal (CDU). Além disso, utiliza-se a tabela de Cutter-Sanborn como complemento do número de chamada.

A CDD caracteriza-se por ser de mais fácil utilização, porém possui limitações quando utilizadas em acervos muito especializados. Por isso, é classificação decimal mais indicada para acervos generalistas como os encontrados em bibliotecas escolares e bibliotecas públicas.

A CDU por permitir correlacionar assuntos de maneira mais eficaz que a CDD, é mais utilizada em bibliotecas universitárias e centros de pesquisa. Por isso, as instituições de ensino superior acabam preferindo que seja utilizado o CDU nas fichas catalográficas de trabalhos de conclusão de curso.

A tabela de Cutter-Sanborn serve para individualizarmos ainda mais a localização de um livro nas estantes de uma biblioteca. Ao contrário das classificações decimais, a tabela de Cutter utiliza-se do sobrenome dos autores e do título do livro. Assim, vários livros agrupados por determinada classificação, também seriam agrupados por determinado autor.

Apesar das fichas catalográficas não serem utilizadas mais em arquivos metálicos gigantescos, elas auxiliam bibliotecários, editores, livreiros e outros profissionais do livro a manterem seus catálogos automatizados sempre atuais e em conformidade com padrões internacionais. Reduz os custos e tempo de trabalho melhorando a produtividade de bibliotecas com poucos recursos materiais e humanos. Permite a padronização de bases de dados que são importantes para o crescimento do conhecimento científico de qualquer país. Além de padronizar a catalogação em âmbito nacional e facilitar o controle bibliográfico nas bibliotecas.

Isso é tudo. Apresentamos um pouquinho da história das fichas catalográficas, as partes que compõem uma ficha catalográfica e sua aplicabilidade nos dias atuais. Contratem um bom serviço de elaboração de fichas catalográficas, agora!

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